Em pleno século passado
Gerado com muito critério
Veio ao mundo um engraçado
Baptizado por Valério.
Valha-me Deus! Que belo moço!
Que formas tão perfeitinhas
f .. Uma ameixa sem caroço
E que tesas as peminhas!..
A Escola disse que não
Nada dessas modemices..
"Hei-de ganhar o meu pão
P' ra quê tantas esquisitices"...
Trabalho duro no campo
De manhã ao pôr-do-sol
Apanhou bom figo lampo
Lambeu-se com o "berenhol".
Um. dia foi p'ró Palácio
Rodeado de florzinhas.. .
Esse foi o seu prefácio
P' ra conquistar a "Dorinhas"
A paixão foi imediata
Nem o patrão se salvava
Se ele lhe jogava a "pata"
Levava uma tuna, ai levava!..
Beijos, abraços, ternura
Sangue quente com calores
O namoro pouco dura...
"Vou casar-me com a Dores" . . .
Se assim pensou assim fez
Nem olhou mais para trás
Um marido bem cortês
Deixou p' ra trás horas más.
Um amor que não mais findou
Ele cumpriu o seu papel!..
A Dorinhas, engravidou....
Deu à luz a Isabel.
Trabalhava, trabalhava...
O bom do nosso Valério
Era rijo, não se cansava
E nasce séu filho, o Rogério.
A versejar! Uma delícia!..
Tocou pandeiro nas charolas
Apertava c' a Patrícia
Quando foi à do Mateus Bolas.
Um amigo verdadeiro
Vertical e com critério
Em Estoi, a tocar pandeiro
E um artista, o Valério.
As festas em que ele entrou!..
O trabalho não o cansava
Se alguém o "aproveitou". . .
Ele nunca se negou a nada.
Até teatro ele fez!..
Sala cheia como um ovo
Analfabeto! - Talvez!...
Mas um digno filho do povo.
Em 2 de Maio venham vê-lo!...
Na Rádio Simão, na carrinha...
A arte flúi nele, com desvelo
Na nossa Festa da Pinha. .
Salvé Amigo! Gente boa. . .
Eu digo à minha maneira
Se a capital é Lisboa
Tem bons. amigos em Bordeira.
O Manel Galego, o Rafael
Bons petiscos, com "tinto1"
Cada um no seu papel
Num dia quente de sol.
Na "ternura dos oitenta"
Com amigos a seu lado
Um homem sempre se aguenta
Se por muitos for estimado...
Sorriso aberto e leal
Homem bom, filho do povo
"Charoleiro" sem igual
Aos oitenta, sempre novo.
Com estima e amizade
Dos amigos que aqui estão
Valério! Um amigo de verdade
Em cada um de nós, um irmão.
O V alério fez oitenta!..
Eu não sei como isto foi
O sorriso que ele ostenta
Só o tem, porque é d 'Estoi
Hoje está feliz o "menino"
Com amigos a seu lado
E sua sina, seu destino
Por todos nós estimado.
Uma promessa aqui deixo
P' rós noventa lá chegar
Ou eu não me chame Aleixo
O Valério vai cá estar.
Se o Jaiminho fez noventa
E aqui sentado, ou além,
Ele ainda diz que aguenta
P'ra festejarmos os cem.
Ao lado dum grande homem
Vamos rezar às alminhas
Que os anos passem e somem
Ao lado da "Ti Dorinhas".
O testemunho, a amizade
Dos amigos que aqui estão.
Um homem não tem idade
Quando tem bom coração.
(No jantar de aniversário com os seus amigos, no dia 7 de Agosto de 2015)
J. Aleixo